Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 08 2010

Não tenho mãe. Sou filha do destino,

que me gerou, sòzinho, a soluçar,

em noite, desprovida de luar

e débil dum sorriso do Divino.

 

Nunca fui embrião que, pequenino,

se sentisse num ventre a flutuar,

ou feto que bebesse o madrugar

dum abraço materno e cristalino.

 

Se o destino é meu pai, que fez de mim?

Deu-me a vida e não disse de onde vim.

E nunca saberei para onde vou...

 

A mãe, que nunca tive nem vou ter,

é, talvez, o meu grito de mulher,

sinal de que, também, não sei quem sou!...

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Emoções em Terra Doce)

publicado por virginiabranco às 23:48

Abril 08 2010

Ser vaga ondulante

mandar a saudade

em navio flutuante.

Não sinto vazio

mas sou alma errante!

Só quero tocar

no fundo do mar

qual alvorada

com meu clarinete!

Dançar com sereias...

acordar os peixes

ver jacto de baleias.

Sentada em corais

não se ouvem ais...

nem gritos humanos.

Só vejo flores...

cardumes, amores

que cantam falsete

quando ouvem o som

do meu clarinete.

As algas marinhas

são florestas minhas,

Jardins Imperiais

que fazem espirais

da minha ilusão.

E as conchas

que trazem as ostras

fechadas em seu seio

tenham de permeio

a pérola brilhante!

Porque isso é o tudo

para aquelas mulheres

que são do meu mundo,

que mergulham fundo

sem poder respirar.

Só quero tocar o meu clarinete!

Dançar com sereias

acordar os peixes

ver jacto de baleias,

ser vaga ondulante...

e trazer como as ostras

fechado em meu seio

O Bem de permeio

como pérola brilhante!

 

VIRGÍNIA BRANCO

Novembro/1999

publicado por virginiabranco às 23:24

Abril 08 2010

Poema subordinado ao Mote (Quadra de Izo Goldman)

 

Saudade é lava que corre

Pelo corpo, em louca freima,

E, rubra, enquanto não morre,

"Saudade é fogo que queima".

 

É fogueira em combustão

Que flameja co'a nortada;

Com ar quente do Suão

"E o vento da madrugada"

 

É beijo de amor passado

Que a voz sufoca e aceima

E no peito, calcinado,

"Atiça o fogo que teima".

 

É faúlha que, perfeita,

Sobre a cinza abandonada,

Teima em dar-lhe chama eleita,

"Em queimar... lenha queimada..."  .

 

1º prémio, Aveiro 2002

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

publicado por virginiabranco às 23:05

Abril 08 2010

Saudade é sentimento persistente,

Sempre além do conceito definido

Que, distante d'amor ou dum amigo,

É moinho que mói dentro da gente.

 

É um prazer e dor d'alma carente

Que faz rir e chorar olhar dorido

Que transforma o sentir no bem sentido,

Na ilusão de abraçar amor ausente.

 

É almejar Olimpo do passado,

O que, no rol da vida, foi melhor

Para mudar destino malfadado.

 

É desejar alguém que traga amor:

A realidade ou mito, o Desejado;

Um Deus que traga, enfim, o Bem Maior.

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

publicado por virginiabranco às 22:55

Abril 08 2010

escadotes de mentol perfumando a língua

doem-me os átomos viajando em cubos de âmbar

escorrem melancias telecomandadas

molho os dedos na trovoada

antes que os príncipes trabalhem nas pestanas

metáforas cortando aquários incompletos

e os fetos bailando sobre hospitais suspensos

solto holofotes na confusão de papoilas

chávenas abraçando limões

e quadros desfeitos sobre o potássio dos ananases

rádios de pimenta

dobrando sapatos de orvalho

enquanto os tectos mortos

consertam raízes

 

reinvento pontes costuradas

malas desfeitas

e confunde-se o vagão azul

com a rouquidão curva dos violoncelos

encharco assobios

pois eu quero beijar o malabarismo dos peixes

e atirar-me sobre escorregas de amêndoa

embarco amanhã no guindaste de uvas 

 

CLÁUDIA BORGES

in(malmequeres os lábios molhados)

publicado por virginiabranco às 22:38

Abril 08 2010

pálida rimando a voz com a memória escravizando os dias

presa num voo alucinado

suspenso por um parapente de sílabas

ainda me transporto

nas esquinas movediças dos horizontes

e eles cantam-me em teórica língua

com coroas e pó sobre as metalúrgicas faces

depois esbatem-se na mitologia das sombras

invadindo os asteriscos púrpura das janelas

e rainha do ocidente

vou amolecendo na interminável soldadura das ondas

 

CLÁUDIA BORGES

in (malmequeres os lábios molhados)

publicado por virginiabranco às 22:24

Abril 08 2010

O silêncio pesa tanto

que fatiga causa medo.

Tem amarguras de pranto

e recatos de segredo.

 

Todavia

no contra-som do silêncio

se revela

o perfil da consciência:

 

o silêncio é uma janela

por onde se espreita a Alma

que não cabe na Ciência...

 

CACILDA CELSO

in (Sede Consentida)

publicado por virginiabranco às 22:14

Abril 08 2010

Na brisa do entardecer

um recado

para ti:

não julgues quando morrer

que foi então que morri.

 

Quis a sorte

que a dor me sugasse tudo

menos o sangue da chaga.

 

Que dor me trará a morte

que a vida já me não traga?

 

CACILDA CELSO

in (Sede Consentida)

publicado por virginiabranco às 22:08

Abril 08 2010

Há em mim não sei o quê

mais intacto que a Verdade

mais inviolável que o Céu.

 

Não me rasga a virgindade

quem julga ter o meu eu.

 

Sou virgem

Sempre o serei:

quem me possui é um mito.

 

Eu não pertenço a ninguém

sou um átomo-Infinito...

 

CACILDA CELSO

in(Sede Consentida)

publicado por virginiabranco às 22:01

Abril 08 2010

Tenho sempre uma defesa:

a certeza de haver Deus

na incerteza.

A violência de haver Deus

na violência.

 

Não a violência da espada

que mata

mas nunca violenta nada.

 

Mas a violência do Bem

-que em silêncio

violenta o que a alma tem.

 

CACILDA CELSO

in (Sede Consentida)

publicado por virginiabranco às 21:56

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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